sábado, 9 de agosto de 2025

Reflexões de uma puérpera_2025

 Roendo unhas. Como é difícil iniciar um texto, ainda que só para mim.

Quando do nascimento de um novo filho (filha!), na primeira manhã em casa nesse novo formato familiar, com a RN dormindo, com o filho mais velho saindo para passar a manhã na casa dos avós - por solicitação do mesmo - com o marido lendo no sofá: casa "vazia", silêncio, muitos pensamentos. Primeiras reflexões de puerpério e sentimentos tristes. O choro. Primeiro calado, depois compartilhado. Pela primeira vez quis chorar abraçada, chorar sem saber o porquê exato.

Alguns flashes:

- Retrospectiva da gravidez: Olhando para trás, para o início da gravidez, achamos tudo tão mais especial agora que já sabemos quem é a nossa filha. Por exemplo, escuna em Ubatuba no recesso e nossa pequena tão tão pequenina no útero. Certamente eu não parecia tão grávida assim naquele momento.

- Enf e Obstetra dizendo, já na sala de parto, que eu estava pensando muito: começa aí minhas comparações entre partos? Talvez antes. Eu estava mais entregue à primeira experiência? Nota posterior: entendi que estava com pouca dor até então (dores mais intensas só vieram mais proximas ao rompimento da bolsa/expulsivo) e com isso estava mais consciente e racional mesmo. A dor intensa do parto do Gustavo, após rotura da bolsa, é o que me fez estar entregue, mergulhada (em "nárnia"). Foram mais horas de dor na primeira experiencia. Nota posterior 2: Não se combate pensamento com pensamento, nisso poderiam ter feito diferente (e evitar me falar isso mais de uma vez). A Fran conseguiu ser mais carinhosa nesse ponto e me disse palavras de calma e de que estava tudo certo - se eu tinha dúvidas que o parto estava engrenando/acontecendo, aí entendi que estava rolando de fato. Ninguém é perfeito. Depois foram tomar um café e, com isso, passando tempo sozinha com o Gabriel, deitei, relaxei, chorei refletindo que era bom termos chegado com antecedência no hospital, mas que também era estranho a espera, e após algum tempo a dor das contrações se intensificou - enfim um ato acertado da Enf e Obstetra sobre como me fazer pensar menos, me deixando relaxar com meu marido.

- Sentimentos iniciais pós parto. Gustavo: encanto, fiquei impressionada. Laura: alívio e sensação de "então é isso". Só chorei muito tempo depois do nascimento da Laura, quando o Gu estava para entrar no quarto e eu estava apreensiva com sua reação. No nascimento do Gustavo, chorei em torno de 1h depois, ao me emocionar vendo Gabriel com ele no colo e fazer breve retrospectiva da manhã arrebatadora.

Só me entreguei e me permiti olhar pra Laura com mais carinho depois que deu tudo certo na visita do Gu? Não sei, mais certamente a olhei com mais afeto no D1 e  reconheci que ela é bem lindinha.

- Chegando em casa da maternidade, com relação ao Gustavo: Sentimento de acolhimento com os desconfortos dele (me senti muito tocada com qualquer reação de tristeza/ birra dele); reflexo do meu momento irmã mais velha? Exemplo de momento muito tocada: D2, quando tentando colocar a Laura para mamar na minha cama, com Gu, Gabe e Rosana no quarto.. em que Gu ficou chateado com fala da Rosana de "não toca nela" e ele escondeu o rosto no travesseiro, falando depois que queria ir para a escola.

- Sentimento de culpa: O nascimento (primeiros minutos) é um momento que passa tão rápido. Com toda a comparação entre meus dois partos e filhos que fui fazendo naturalmente, fiquei com a sensação de que estive menos presente nos primeiros momentos da Laura (inclusive sinto que comparei os partos durante o parto da Laura, só estive de fato menos consciente, sentindo mais, quando a dor apertou próximo ao expulsivo - meu momento "narnia" foi basicamente o expulsivo). E com isso veio a culpa. Nota posterior: ao reconhecer isso no D2 e após demais reflexões, noto que, se é verdade que nao estive muito presente, o presente é todo dia de nossas vidas... e comecei a estar mais presente logo na primeira semana. Pretendo estar sempre.

- Expulsivo da Laura foi bem mais desafiador. Fiz forças conforme eu as sentia, era isso que eu queria mesmo. Em um certo momento, a Obstetra me perguntou se eu estava com medo. Fiz mais uma força e depois que a contração passou identifiquei que sim, eu estava com um certo medo. Então a verbalização da doutora, apesar de não ter sido tão carinhosa no tom de voz, foi importante para me fazer perceber isso e entender que eu estava com medo e precisava ir com medo mesmo. Precisei ter coragem... ou seja, no fim esse questionamento da doutora foi uma frase de encorajamento. Conforme sentia a Laura chegando no períneo continuei com as forças e senti a ardência mencionada como "circulo de fogo" em alguns relatos e, novamente, segui com coragem e força. Primeiro sentindo a ardência no períneo, depois na região próxima ao clitóris (e senti medo de lacerar aí também). Quando as ardências passaram, ouvi choro, olhei para baixo e vi o reflexo da Laura no foco de luz, vi de relance um cordão atravessado e ouvi a doutora falar que ela nasceu toda enrolada. Primeiro pensando pós parto: alívio, ufa. Segundo Gabriel, logo falei que queria vê-la - aparentemente a doutora já mostrou a Laura para a pediatra assim que nasceu, para avaliar a clavicula, isso pois ela coroou, nasceu a cabeça e então o ombrinho "emperrou", uma distócia de ombro, que eu nem senti pois durante a contração fiz força e elas viraram minha perna, o que logo liberou o ombro e ela nasceu (~Alívio~). Ao saber da distócia, liguei o modo alerta pelo receio de fratura na clavicula e acredito que por isso voltei rapidamente ao modo consciente e racional. Atenta ao choro da Laura, sem choro meu, mas alegre enfim. Nota posterior: Após o parto, pensei que se algumas mulheres querem anestesia, isso é super aceitável (antes eu julgava, confesso). Também pensei que se o expulsivo do Gustavo tivesse sido assim, talvez eu quisesse anestesia nesse parto. Nota posterior 2: como gosto do mundo natural, foi bom que aconteceu dessa forma, mais um parto natural na minha história e agora um parto mais representativo do que minhas antepassadas viveram. Possivelmente elas também sentiam alivio quando seus filhos nasciam (não no oitavo parto, mas no primeiro, segundo..). O nascimento da Laura me conectou mais ainda com a nossa ancestralidade. O nascimento da minha menina, me sintonizando com o nascimento da minha mãe, do meu pai, das minhas avós. Enfim, com as nossas ancestrais em geral, e com todas as mulheres que pariram naturalmente por milhares de anos.

Sobre as reações da Laura em suas 3 primeiras semanas de vida e minha relação com ela: Continua...

                             




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