quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

2021-12-15 at 00.46am

 Terça, 15 de dezembro, meia noite e 46.

escrevendo brevemente apenas para registrar um sentimento e um insight..

hoje me pediram para imaginar um sonho que voce considera mto longe de ser atingido. Um sonho "inviável", digamos assim. Não tive essa resposta de bate pronto. Porém, após pensar um pouco, meu sonho, meu maior sonho, que imaginei naquele momento foi viver uma vida com plenitude.

Isso, uma vida plena. Uma vida onde eu gostasse 100% de estar onde estou, de fazer o que tivesse que ser feito no momento. 

Fora a sensação e desejo de plenitude, imaginei também o local dessa plenitude (porque não? a instrução era que eu imaginasse tudo mesmo rs). Eu me imaginei vivendo plenamente trabalhando de casa (no meu trabalho atual mesmo, enjoying the next steps), na minha grande e confortável casa da praia e também na minha modesta e confortável casa no campo.

Acho que essa foi a parte "inviável" do meu sonho pessoal, longe de ser atingido. Viver fora de SP não parece ser algo plausível para quem nasceu e cresceu aqui. Ainda mais com a escolinha das crianças ((0_0)  rs) por vir. E tendo em vista que o Gabe trabalha em Cotia, nada de 100% homeabased para ele. 

Mas pera. A escolinha de verdade, daquelas que nao se pode faltar pois perde-se matéria, ainda está razoavelmente longe. Daqui 5 anos pelo menos. E o emprego atual do Gabe já fornecerá 2 dias trabalhando de casa (assim que a pandemia abrandar e todos forem voltar de fato ao escritório). Sendo assim, viver metade em São Paulo e metade em locais com mais natureza pode acontecer, não está tão longe.

percebo então que a inviabilidade de sonho está nas casonas e seus locais. Bom saber.. é o conforto que almejo, esteja onde estiver. Algumas coisas necessitam de investimento em dinheiro para que se tornem confortáveis do jeito que imagino (caso eu optasse por fazer isso acontecer no ape dos meus pais por exemplo, ou se nos jogássemos no plano de construir no Jardim Marisol). Ok, posso ir trabalhando nisso. Planejamento financeiro e alinhamento familiar. E somente agora, enquanto escrevo, tenho mais um insight... :

Minha plenitude depende de tanto assim? Não posso alcança-la agora mesmo, amanhã por exemplo?

Depende de dinheiro e tempo investidos, transformados em casa grandelindaconfortávelnanatureza para de fato ter conforto e viver uma vida plena? Fica a reflexão. Boa noite.

(texto não revisado)


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Observações sobre a mente puérpera

 Agora sou mãe. 

Há exatos 7 dias meu corpo se preparava para uma experiência mágica. Às 4h20 do dia 22.Out.2021 comecei a sentir as contrações que levaram ao nascimento, às 10h28, de Gustavo Avelino Borghesan Ribeiro. Um parto normal sem anestesia. Um parto natural. 

Uma vivência incrível, surpreendete, impressionante. Muito mais do que eu sonhei para mim.

Detalhes sobre o parto e suas sensações poderão ser descritas depois, pois aqui quero focar nos momentos em que apesar de tudo ter corrido da melhor forma possível, minha mente encontrou caminho para pensar em negatividades.

Da Laceração: Esta pensei brevemente depois do parto, por saber que se tratava de laceração grau 3. Passou. Porém ao acordar no dia seguinte, uma noite claramente mal dormida devido ao encantamento gerado por esse serzinho chamado de meu filho, vieram as reflexoes novamente: teria eu sido encaminhada a uma posição cuja possibilidade de laceração era maior. Eu, vulneravel, encaminhada a uma posição que seria melhor apenas para a médica? Ou seria a médica uma pessoa nao tão atualizada, então um "honest mistake" aqui? Fiz mais força do que deveria (orientada pelas duas que me guiavam)? Somava-se a isso também reflexoes do pai cauteloso: "qual teria sido o desfecho de termos demorado 20 minutos a mais para chegar? Será que nossa calma e paciência poderiam ter sido danosos ao nosso filho ou ter acarretado num desfecho de improviso nas ruas de São Paulo, dado que às 9h30 eu já estava com vontade de fazer força?

Combinações infinitas poderiam ter acontecido nesse dia tão especial. No dia em que eu mais me estive centrada em mim, nas sensações do meu corpo, vivênciando tudo aqui da pele para dentro. Com meu foco tão diferente de tudo o que já passei nesses 33 anos. Combinações infinitas, hoje, no dia do parto, e em todos os outros dias... estamos sujeitos a essa sincronicidade. E quem poderia imaginar que eu sou "uma parideira", como a enfermeira Fran disse. E, aliás, seria essa rapida dilatação resultado de um corpo que se entrega? Um corpo que fica feliz ao ver o inicio, se impressiona ao ver a bolsa romper, confia na Fran desde então, chora brevemente de medo e dor, depois chora brevemente de emoção ao sentir que seu filho realmente está vindo. Você está finalmente vivendo o que tanto desejou.

Por fim, converso com a enfermeira Fran em sua visita de amamentação na maternidade e relato os pensamentos ocorridos, ela ressalta que estar consciente de que podem ser pensamentos gerados por oscilações hormonais é o caminho para ter um puerperio mais leve. Ressalta que fui uma leoa no parto e que eu devo me lembrar que ninguem saberá cuidar do meu filho melhor que eu. A segurança da mãe recém nascida brota dai, uma breve conversa com essa que foi meu porto seguro no parto*.

Da despedida da maternidade: Ao arrumar as coisas para nossa alta hospitalar, novamente uma sensação de tristeza. Era um dia cinza e chuvoso. Único dia que ninguem foi nos visitar (e era isso o que queríamos). A maternidade foi a primeira casa que vivemos com Gustavo. Dois dias apenas, mas dias completamente novos, recheados de amorzinho por esse recém nascido lindo e saudável. A sensação não era de estarmos voltando para a casa, após uma internação hospitalar, mas sim uma sensação de estarmos voltando de uma viagem. Bem semelhante à sensação de aeroporto mesmo. Gratos, seguimos.

Das pequenas inseguranças que me permiti (terça, 26Out2021):  Após a dose de segurança trasmitida por Fran, segui realmente me sentido a dona da p**** toda. Nada me pararia, eu realmente sabia o que era melhor para esse serzinho e minha relação com meu parceiro nao poderia estar mais respeitosa e amorosa que nesses dias. De repente, me vi colocando palavras de forma insegura, com dúvidas. O quesito do maternar em que titubiei foi o primeiro soluço de Gustavo, seguido por um longo período de amamentação nesse que foi o dia em que meu leite desceu. Depois disso, no mesmo dia, a minha primeira tentativa de banho.. em que novamente nao me senti segura para a tarefa e acabei por nao seguir, entreguei ao Gabe. Novamente uma sensação estranha de insegurança veio. Senti que eu mesma me permiti isso, quase como que vi a insegurança chegar pelo ar, ser absorvida por mim de livre e espontânea vontade. Um "inspira e expira", onde inspirei um sentimento ruim e não consegui expirá-lo com a mesma consciencia em que o trouxe para dentro. A parte boa é que observei isso acontecendo. Deixei acontecer, mas pelo menos tive ciência da minha brecha.

Das três madrugadas seguidas em que achei que me dediquei mais ao nosso filho: Gabe, meu querido companheiro, tem questoes de sono. Nos primeiros dias de vida do Gustavo, ele estava mais alerta, acordava mais fácil e mais disposto. Depois eu, animada, tomei a frente em uma madrugada, achando que seria reconhecida e que ele agradeceria meu feito bondoso, deixá-lo dormir 5/6h seguidas, que benção, ótima esposa, maravilhosa ela. Mas não ficou tão clara assim minha dedicação. E na madrugada seguinte novamente não. E hoje, dificil também, mesmo após ouvir do pediatra homem cis humanizado e feminista que amamentar gasta muita energia, que a mãe precisa descansar e que mamae feliz é igual à todos felizes rs. Começo a madrugada de hoje com uma certa raivinha de que parceiro, depois percebo que acabei deixando nosso pequeno chorando por mais tempo para ver se, mesmo cansado, Gabe tomava as redeas e mostrava que sabia me deixar descansar. Alê, jamais permitir que sua mente vá por aí novamente. Nosso Gustavo não tem culpa nenhuma se papai Gabe já se sente um pouco mais tranquilo e nao acorda à primeira choramingada. Ainda assim, ele é maravilhoso, uma companhia dedicada à paternidade, lindo, amoroso, respeitoso. Não deixar esse pensamento virar uma bola de neve. Refletir e ter ciência pode ajudar.


* Dessa conversa sobre segurança e de que eu "posso tudo", projetei que eu sempre me lembrasse disso, mas em especial no meu trabalho. De tal forma que em nenhuma situação eu duvidasse de mim mesma, ficasse com receio de nao fazer o melhor possível e que nao deixasse nenhuma outra Cris Meyer me tirar do meu patamar de tranquilidade, elevando batimentos por causa de palavras colocadas de modo duro, vindo de alguém que certamente tem issues em relações de parceira e/ou submissão.


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

É muito gostoso trabalhar sentindo o nosso bebezinho mexendo.

Hoje tentei lembrar qual era a reflexão basicona sobre a vida que eu tive no início da gestação. Era algo assim: Temos muitos momentos de estresse, angústia e tristezam, que por serem sentimentos intensos e que envolvem nossa percepção de quem somos no mundo, ficam muito marcados e tomam uma grande proporção no nosso imaginário.

Mas tudo isso (inclusive os sentimentos e sensações boas) só são possíveis porque nosso organismo funciona, e muito bem. Tudo está interligado e funcionante. E, assim como uma planta que pode morrer por receber água de modo inadequado ou por estar com uma infestação descontrolada de bichinhos, nosso organismo também pode se desorganizar e iniciar uma decadência funcional facilmente.

A vida é mais importante que:

  • Nosso pensamento sobre ela
  • Nossas sensações (stresse, frustrações, baixa auto-estima, ou qualquer sensação ruim gerada pelo trabalho)
  • Nossos sentimentos sobre ela (principalmente os sentimentos ruins, que tiram tanto a vontade de seguir, fazem com que eu queira sumir as vezes).
Acreditar na sincronicidade da vida. Confiar que as coisas estão acontecendo exatamente da forma como precisam acontecer... e lembrar que tudo, tanto o bom quanto o ruim, passam muito rápido. Depois olharemos - eu olho - para trás com nostalgia e podemos até tentar recriar as sensações em novos cenários, novas pessoas, com uma nova idade (mais velhos que antes). Mas passou..

Estar em paz é importante, deve ajudar a sincronia do organismo a continuar sua renovação e jornada.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

 Algo está faltando aqui.

Entendo que eu deva silenciar e buscar uma conexão mais forte comigo mesma. Entender de onde vem a falta. Mas soltar e buscar fora as vezes parece tão necessário. Compartilhar angustias.

O único porém é: caso eu estivesse bem plena, gostaria de ter alguém compartilhando suas angustias comigo desavisadamente. Ser pega de surpresa no desabafo de alguém?