Edite estava lá, na piscina, em uma manhã de
sábado sem sol. Não era um dia quente e ainda não era 7h. O deck era todo dela.
Ela permaneceu imóvel
por muito tempo. Contemplativa. Vez ou outra, porém,
Edite variava entre mover-se sutilmente e sacudir-se com gosto. Aquela porção rasa de água, que cobria metade de seu corpo, a aconchegava feito uma jacuzzi.
Cena inusitada. Ela prendeu minha
atenção por muitos minutos, minha curiosidade queria mais. Edite me trazia plenitude,
calma e eu até esperava que algo mais insólito acontecesse.
Mais um farfalhar e
então saltou. Observou a piscina de longe, porém com atenção. Por fim, Edite permaneceu
parada no mesmo lugar onde pousou, se secando.
Pomba abusada, tomou
um banhão na piscina do prédio. E, nessa simplicidade, preencheu meus primeiros
minutos do dia.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
Edite estava lá.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Escrevo para me conhecer. Já tive boas revelações com isso.
Em algumas aulas da pós, eu era retirada da sala por
sentimentos incômodos. Esses sentimentos se desdobravam em pensamentos
repetitivos. Era como se eu não quisesse esquecê-los, ainda que dolorosos. Como
já vinha fazendo há algum tempo, escrevi. Escrevi tudo. Se sosseguei de fato ou
apenas desabafei não sei, mas segui a aula e a vida.
Semanas depois, novamente na aula, voltei às anotações.
Com uma outra vibração interna e outra interpretação dos fatos e sentimentos descritos,
ficou claro: faltava amor-próprio. Faltava sim, finalmente entendi! E isso era
a raiz de várias ações, sensações e repetições em minha vida. Nesse momento
caiu um dos véus que me embaçava a visão. Enxerguei coisas novas em mim e nos
outros.
Eu não escrevia com a finalidade de ter epifanias, mas
esta me fez continuar com mais força. Escrever para tirar da frente o
pensamento que me toma o foco e fluidez do momento presente segue acontecendo em
mim.